O filme começa numa telinha bem pequenininha dentro da sua cabeça. Quando você está escrevendo ou lendo o roteiro vê alguns flashes do filme passando bem depressa e vai tentando anotar o máximo possível.
No nosso filme, A Dama das onze horas, os três roteiristas demoraram meses para ter um filme em suas cabeças e mais alguns meses para anotar esses flashes.
Quando você começa a dirigir as cenas a coisa muda. Você começa a ficar nervoso, pensar se o que você vê na telinha sobre a câmera era a mesma coisa que você via na telinha da sua cabeça.
Mas o verdadeiro desespero bate quando você está em set, sua Diretora de Fotografia pergunta "Onde eu ponho a câmera?" e sua protagonista pergunta "O que eu faço?". E esse desespero bate porque até então você só se preocupava com o que vai acontecer e pela primeira vez você tem que pensar em como isso vai acontecer dentro do quadro.
É aí que você se toca que o quadro é mais do que o quadro. O quadro é um recorte, um pedaço de um mundo, e se há algo estranho no quadro o espectador vai perceber que há algo estranho no mundo do seu filme.
Quando você faz um filme sempre tem que pensar doze passos à frente, porque a cada fase do processo a tela vai aumentar e uma hora ela pode tomar o espaço de uma parede inteira.
Só quando o filme toma o espaço de uma parede inteira você consegue ver que o brinco da protagonista era o brinco errado, ou o pé de um assistente de som encolhido atrás da porta, ou que tem um saco de lixo da produção pendurado trinta metros ao fundo da cena.
A tela grande é o terror de quem faz um filme,
mas é nela que a magia acontece.
(Assista aqui o curta A Dama das Onze Horas.)

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