Há quem diga que um filme é efetivamente "feito" na sala de montagem. Eu discordo.
A montagem é um passo crucial, ela une os fragmentos de tempo captados durante a filmagem, mas se esses fragmentos não tiverem uma unidade, uma cola narrativa, quando reunidos você corre o risco de matar seu filme. E quando eu digo que ele vai morrer não digo que ninguém vai entendê-lo ou que vai ficar feio, mas que não vai dizer o que você quer que ele diga.
Quando eu dirigi o curta Céu sem cor, acompanhei de perto o trabalho do nosso montador, o Lucas. Ele esteve em set e atuou nas áreas de Produção e Fotografia enquanto a hora de montar não chegava e captou uma coisa muito importante: o ritmo.
Se o ritmo do filme não é impresso durante as filmagens o que ela faz é simplesmente colar pedaços de gravações até encontrar algum sentido naquilo. Qualquer técnico faz isso. Mas nem todo filme é técnica.
Se seu trabalho for, acima de um amontoado de imagens e sons, uma obra artística, um técnico sem a noção adequada do ritmo corre o risco de matar seu sentido na mesa de montagem.
O que faz do filme uma forma de arte única e independente das outras é a passagem do tempo. O tempo pulsa dentro do filme como o sangue que pulsa em nossas veias. O tempo é o sangue do filme. Um corte mal calculado, efetuado um pouco mais à direita ou esquerda do local correto, e seu filme sangra tempo. E dependendo do sangramento, a hemorragia pode matá-lo.
Claro, isso se seu filme for arte e não um amontoado de imagens e sons.
Um amontoado de imagens e sons sequer tem vida.
(Assista aqui o curta Céu sem cor.)

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